14 de jan. de 2013

DESAFIOS DA INTEGRAÇÃO DO TRANSPORTE FERROVIÁRIO NO BRASIL


Desafios da integração do transporte ferroviário no Brasil

Todos nós brasileiros estamos contentes e satisfeitos com a situação econômica do País, finalmente estamos sendo tratados como gente grande, alvo de investimentos de boa parte do mundo, com espaço e oportunidades para crescer. Porém quando olhamos o tamanho dos desafios que teremos de enfrentar no curto prazo para tornar esta realidade sustentável, sentimos um frio na barriga e indagamos para nós mesmos se vamos conseguir.
transporte ferroviarioCom as olimpíadas e a copa do mundo se aproximando a passos largos, o transporte das pessoas nos grandes centros se mostra um gargalo que necessita ser resolvido com urgência. Esta solução passa obrigatoriamente pela integração dos vários modais de transporte disponíveis, tais como: trem, metrô, ônibus e carros.
Na cidade de São Paulo o metrô retira 300 mil carros das ruas por dia e não há dúvidas que este é o melhor e mais eficiente transporte de massa para as grandes cidades, porém ele só não é suficiente. Um sistema de transporte urbano eficiente tem que ter capilaridade, como, por exemplo, a criação de bolsões de estacionamento nas estações de metrô dos bairros mais afastados do centro, com preços convidativos de modo que incentive o usuário a não trafegar pelo centro da cidade.
Os ônibus devem fazer os trajetos dos bairros mais distantes até as linhas de metrô e trem, de modo a escoar mais rapidamente a população rumo ao centro da cidade. Para que isto aconteça precisamos de mais linhas e mais trens, pois o sistema de trens de São Paulo é tímido no seu tamanho e mostra sinais visíveis de saturação. Situação semelhante se verifica em cidades como Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte, entre outras.
Apenas nos últimos anos estamos ouvindo a falar no Brasil da sigla TAV (Trem de Alta Velocidade), realidade presente em quase toda Europa e Ásia desde a década de 80 e agora na China, onde o modal progride a olhos vistos com a inauguração da maior linha de TAV do mundo, com 1.300 km ligando Beijim a Xangai. O Brasil não poderia estar tão atrasado com esta tecnologia, pois somos um país de dimensões continentais e grandes centros urbanos no Sul e Sudeste, separados a distâncias entre 400 Km e 600 Km, ideal para este tipo de transporte.
A história é cruel e tem memória, mas muita gente já esqueceu e os jovens nunca presenciaram que em 1960 as ferrovias brasileiras de longa e média distância transportaram 100 milhões de passageiros. Quanto abandono e quanta política errada para chegarmos aos dias de hoje, depois de 60 anos, com o dobro da população e verificando que todos os ônibus intermunicipais e interestaduais transportam 133 milhões de passageiros. A Alemanha, país um pouco maior que o Estado de São Paulo, tem 36 mil Km de ferrovias, enquanto o Brasil todo tem 26 mil Km, sendo mais de 95% deste total dedicado a transporte de carga.
Analisando a matriz de transportes de carga no Brasil, verificamos que 59% pertencem ao rodoviário e apenas 24% ao ferroviário, enquanto que nos Estados Unidos 32% são do rodoviário e 43% ferroviário, quadro idêntico ao Canadá, com 43% rodoviário e 46% ferroviário. Existe um desequilíbrio em nossa matriz e ainda não aprendemos a lição de que o setores ferroviário e rodoviário são complementares, pois existem cargas e distâncias adequadas para cada modal. Não tem sentido carretas saírem do Centro Oeste do Brasil para trazer grãos e outros produtos para os portos do Sul. Faltam linhas e terminais para integrar o transporte ferroviário com rodoviário.
Talvez o Brasil consiga ganhar a copa de 2014 no campo onde não faltam talentos para este feito, porém nas ruas, estradas e aeroportos, iremos perder uma grande oportunidade de mostrar um Brasil moderno para o mundo que indique ser um porto seguro para grandes investimentos. Seremos uma vitrine, e se não agirmos rápido iremos perder a copa da nossa infraestrutura e não chegaremos nem na medalha de bronze em competência no ano de 2016.
Por Domingos José Minicucci – Diretor do Comitê Ferroviário do Congresso SAE BRASIL 2011

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Escrito Por :  Leandro é Ph.D. em Administração, com foco em Gestão de operações e Logística pela HEC Montréal, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

em : domingo, 13 jan, 2013


12 de jan. de 2013

O QUE ESPERAR DA LOGÌSTICA EM 2013


A palavra é DESENVOLVIMENTO. Isso é o que a logística mais oferta e o que ela mais necessita. A necessidade da integração com vários outros segmentos lhe traz os maiores desafios, às vezes injustos desafios, mas dentro de uma consciência crescente rumo ao desenvolvimento tão esperado.
logistica 2013Não podemos esperar um ano muito fácil em 2013. Isso muitos já sabem. No entanto, alguns agravantes tornarão o caminho da Logística espinhoso e incerto. A crise dos combustíveis que aponta para um desabastecimento iminente pode desencadear outras crises em outros mercados. As usinas termelétricas, por exemplo, aumentaram significativamente seu consumo de diesel e atrelaram-se à necessidade já usual de outros mercados.
Os investimentos em infraestrutura serão, mais uma vez, o nosso calcanhar-de-aquiles em 2013. As necessidades são bem maiores do que as intenções. Contudo, o transporte ferroviário nos dará boas notícias com cerca de 10 mil quilômetros de implantação previstos. O Brasil já se arrependeu do “sono” com que tratou esse assunto e, vê agora, uma excelente alternativa para suprir alguns segmentos. Já o transporte rodoviário continua agonizando, uma vez que o foco nessa área estará voltado para a acessibilidade nas cidades sedes da Copa do Mundo de 2014. Não há de se esperar algo significativo em rodovias estatuais e federais, mesmo com a divulgação do Governo Federal afirmando que 7,5 mil quilômetros de rodovias, entre implantação e duplicação, estão previstos para 2013. Porém, esses números se dissolvem em grande parte apenas nos serviços de conservação.
Alguns projetos de expansão portuária estarão concretizados no ano vindouro. Apesar de ter uma estrutura carente ao nosso desenvolvimento, não deixa de ser uma excelente notícia. Embora os mais importantes projetos nessa área estejam prometidos para 2014, vê-se um alento já em 2013 com a implantação parcial de uma estrutura que, em média, pode representar cerca de 4% em movimentação. Pontualmente, alguns portos se destacam como o Porto de Santos, o Super Porto e o Porto do Pecém (CE) com uma estrutura melhor em 24% para os próximos dois ou três anos.
A falta de profissionais das estradas, nossos batalhadores motoristas, representa mais uma dificuldade de sucesso. A vida difícil não atrai os jovens. Diminui significativamente a frequência de pais financiando caminhões para seus filhos; hoje financiam faculdades com a intenção de não vê-los passando pelas dificuldades que eles bem conhecem.

Talvez a pergunta correta fosse: O que a Logística pode esperar em 2013? Esse setor vem com todo “jogo de cintura” já habitual e com um crescente número de profissionais especializados, buscando fazer a diferença dentro das empresas baseados em atributos necessários para sobressaírem-se diante da concorrência. Esse pessoal já sabe que não se pode esperar nada muito fácil nessa área. Cientes das dificuldades que engodam o País, estão expondo-se na tentativa de obterem sucesso e, consequentemente, levar suas empresas ao sucesso para melhorar nosso Brasil.
O que se sabe realmente é que toda crise é uma excelente oportunidade para crescimento. Então, que venha 2013!
Um ano de realizações para todos. Paz, saúde e sucesso.


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Escrito Por : Foi Coordenador de Logística na Têxtil COTECE S.A.; Responsável pela Distribuição Logística Norte/Nordeste da Ipiranga Asfaltos; hoje é Consultor na CAP Logística em Asfaltos e Pavimentos (em SP) que, dentre outras atividades, faz pesquisa mercadológica e mapeamento de demanda no Nordeste para grande empresa do ramo; ministra palestras sobre Logística e Mercado de Trabalho.

em : segunda-feira, 7 jan, 2013

 

31 de out. de 2012

GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS NA GESTÃO DE OPERAÇÕES

Gestão da Cadeia de Suprimentos na Gestão de Operações

A Gestão da cadeia de suprimentos significa para a gestão de operações o mesmo que o oxigênio significa para nosso corpo. As operações de uma empresa não podem funcionar sem uma boa prática de gestão da cadeia de suprimentos. A gestão da cadeia de suprimentos garante que uma organização receba suas matérias-primas no momento correto, bem como bens e serviços que sejam essenciais para a gestão da empresa.
Toda a atividade da empresa está ligada numa cadeia de processos que desempenham um papel fundamental na alimentação da fome de materiais das linhas de produção. Um gerente de cadeia de suprimento deve assegurar que cada elo da cadeia desempenhe o seu papel corretamente. Trata-se de um processo contínuo, composto de várias etapas.
Vamos discutir alguns dos passos abaixo:

Planejamento

Depois que a organização já conhece os requisitos exatos do cliente, é hora de projetar a cadeia de suprimentos de forma que permita a organização cumprir os requisitos do cliente. Este é o primeiro passo e deve ser tomado cuidadosamente de forma que cada sub-passo seja cautelosamente planejado para dar o máximo retorno, pois recursos e tempo são limitados. O objetivo final é, naturalmente, a satisfação do cliente – e esse deve ser o objetivo de todo o resto do plano.

Desenvolvimento

Depois que o plano é desenvolvido, é hora de identificar os fornecedores viáveis e confiáveis. É importante que os fornecedores se identifiquem com os objetivos da organização, para que isso lhes permita ajustar as suas atividades em conformidade. O gerente de operações deve não só identificar os fornecedores de matérias-primas, mas também formular os termos e condições adequadas dos contratos de compra, para assegurar que os fornecedores sejam obrigados a fornecer os materiais a tempo e naqualidade adequada, bem como nas quantidades estipuladas. Também é fundamental que a interação com o fornecedor seja mantida ativa e que o seu desempenho seja revisto periodicamente.

Acompanhamento

A organização precisa ter uma prática de gerenciamento de estoques sólida para que ela possa tirar o máximo proveito dos fornecimentos. Uma gestão de estoques sadia permite que a empresa utilize corretamente os suprimentos e mantenha um monitoramento da utilização de estoques para a produção final dos bens.

Fabricação

A organização precisa agora usar o material e preparar as mercadorias para o cliente. A organização deve usar todas as suas técnicas de qualidade, de processos e todo o seu pessoal para garantir que a mercadoria cumpra os critérios de aceitação, conforme definido em parceria com o cliente. Depois de passado o teste de qualidade, é hora de empacotar os produtos e enviá-lo para o cliente. Pontualidade é fator crítico para satisfação do cliente.

Atendimento ao cliente

É hora de ouvir as sugestões e feedback dos clientes depois que as mercadorias são entregues. As sugestões formariam a base para novas melhorias no produto e a empresa precisa fazer desse processo uma jornada contínua de melhoria da qualidade. Também é a hora de identificar pontos para melhoria nos produtos, correção de defeitos e outras ideias sugeridas pelos clientes.
As etapas acima evidentemente variam um pouco de acordo com práticas organizacionais específicas, mas a essência da gestão da cadeia de suprimentos permanece a mesma. O objetivo principal do gerente de cadeia de suprimentos é para assegurar que cada parte do processo funcione bem e em sincronia com o conjunto, que o cliente esteja satisfeito e que todos os processos estejam ligados de forma eficiente.


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em : segunda-feira, 29 out, 2012



14 de set. de 2012

A questão ferroviária


    Não há quem, ao viajar de trem na Europa, não volte admirado com a praticidade, a rapidez, a precisão nos horários e o conforto de que usufrui nos vagões. Uma viagem de Genebra a Zurique, na Suíça, por exemplo, com duração de 2h43m, em segunda classe, custa 80 francos suíços (R$ 164). Cara? Nem tanto, se se levar em conta que o salário mínimo suíço está em torno de 3.300 francos mensais (R$ 6.798).
    Essa é uma realidade que nem tão cedo será possível encontrar no Brasil, onde a maioria das pessoas viaja de ônibus, muitas vezes por milhares de quilômetros, de Norte a Sul e vice-versa, por dias a fio, tomando banho quando é possível em locais de parada pouco confortáveis. Hoje, só é possível viajar de trem entre Belo Horizonte e Vitória, com exceção de algumas rotas turísticas geralmente de curta distância.
    Se por enquanto é possível apenas sonhar com o trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro para passageiros, a opção ferroviária para o transporte de cargas já se afigura mais promissora. Até porque o governo federal prevê a expansão da malha ferroviária, especialmente na região Sul, com a construção de 2,7 mil quilômetros de trilhos.
    Hoje, o Brasil dispõe de uma malha ferroviária de apenas 29 mil quilômetros, quando, para atender a atual demanda, seriam necessários 52 mil quilômetros. Mas nem essa meta está prevista nos atuais planos do governo, que promete ampliar a atual malha para 40 mil quilômetros até 2020. Se irá alcançá-la, duvida-se muito, até porque não são poucos os obstáculos, como um sistema tributário que pouco favorece a expansão do sistema ferroviário, a falta de integração entre os modais e os gargalos e a dificuldade de acesso e operação nos portos. Tudo isso acaba por gerar atraso nos carregamentos dos navios e o pagamento de demurrage (multas).
    Além disso, a ausência do poder público nas periferias das grandes e médias cidades tem facilitado a invasão de faixas de terra que deveriam ser exclusivas da ferrovia por uma questão de segurança. Assim, foram construídas casas precárias e até estabelecimentos comerciais mambembes em áreas muito próximas da linha do trem, o que exigirá muitos recursos para a realocação das famílias que ali vivem em situação de risco.
    Não é só. A desestatização das malhas ferroviárias a partir de 1996, se desonerou os cofres públicos, gerou um problema que se arrasta há mais de década e meia: os passivos trabalhistas da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que ficaram por conta do governo e não das concessionárias.
    Diante disso e levando-se em conta que qualquer obra no setor ferroviário exige pelo menos cinco anos de planejamento, parece que aquela meta prevista pelo governo dificilmente será atingida, o que seria lamentável porque, hoje, pelo menos 35% da movimentação de cargas já deveriam ser realizados por trem, cujo frete é em média 12% inferior ao rodoviário. Hoje, segundo dados da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), as ferrovias representam 28% das cargas movimentadas no País, mas basicamente transportam mercadorias de baixo valor agregado.
    Para mudar esse cenário, o governo federal pretende investir R$ 200 bilhões em ferrovias até 2025, dos quais R$ 33 bilhões na região Sul, mas o ideal seria que deixasse de lado alguns de seus projetos, passando os empreendimentos para a iniciativa privada. Até porque o histórico da gestão pública nas ferrovias é simplesmente desolador.
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    Escrito Por :
    em : terça-feira, 11 set, 2012
     

    13 de ago. de 2012

    NOVAS TECNOLOGIAS PARA RESOLUÇÃO DE NOVOS CONFLITOS DA MOBILIDADE

                                                                                                                       
    Assistimos nos dias de hoje uma verdadeira revolução tecnológica no setor da mobilidade. Este setor sempre se destacou pela introdução de inovações tanto na tecnologia do produto como nos métodos e processos de fabricação e distribuição.
    A inovação surge sempre quando há conflitos a resolver. Por exemplo, Henry Ford queria popularizar a venda de automóveis no início do século XX. Porém a produção de veículos era extremamente artesanal, com componentes feitos individualmente para cada unidade produzida. Não havia padronização, nem mesmo um sistema logístico para distribuição de componentes e produtos. Surgiu então a linha de produção e a padronização de componentes, que permitiram uma drástica redução de preços e o veículo ficou ao alcance do público em uma escala jamais vista.
    Hoje temos uma diversidade de outros conflitos esperando solução. O aumento de renda das populações e o desejo por mobilidade fazem crescer as vendas de automóveis, causando pressão sobre a infraestrutura viária e sobre o consumo de combustíveis fósseis, além de um impacto ambiental e climático insustentável, com custos que influenciam toda a economia. A grande contradição é que o consumidor, que desejava liberdade e mobilidade plena, está preso nos congestionamentos e sonha com melhorias nos transportes públicos, malha viária, etc.
    Essa e outras contradições que assistimos no setor da mobilidade exigem soluções inovadoras. Como as inovações tecnológicas irão mitigá-las? Temos diversas vertentes a considerar. Desde o próprio paradigma do transporte individual, no qual há cenários de micro veículos inteligentes para uma ou duas pessoas, que levariam os usuários a grandes terminais multimodais, até tecnologias específicas aplicadas à propulsão, transmissão e conforto dos veículos.
    Vemos um grande desenvolvimento na área da propulsão elétrica, que pode ser elétrica pura, híbrida, híbrida “plug-in”, a célula de combustível. Projeções realizadas pela IEA (International Energy Agency) recomendam para 2050, que 50% dos veículos leves globais sejam híbridos e elétricos puros, medida que, aliada a alterações na geração de energia e incentivos governamentais, poderia reduzir a emissão de CO2 em 50%.
    Praticamente todas as grandes montadoras do mundo hoje já possuem veículos híbridos comercialmente disponíveis, e estratégias para veículos elétricos puros e mesmo a célula de combustível. Em paralelo, melhorias nos motores a combustão, para aumento da sua eficiência e aplicabilidade nos veículos híbridos também estão introduzidas. Essas melhorias também estão presentes nos sistemas de transmissão, como, por exemplo, os “start-stop” que permitem maior conforto ao dirigir e contribuem para a redução das emissões.
    Por Jomar Napoleão – Chairman do Comitê e Veículos Leves do Congresso SAE BRASIL 2011
    Observação:Logistíca Descomplicada faz parte da Leitura Selecionada deste Blog. - Consulte.

    20 de jun. de 2012

    Projeto das novas ferrovias brasileiras - Valec


       Esse Programa de Revitalização das Ferrovias brasileiras, em termos de propaganda do Govertno Federal, é fabuloso. Entretanto, convém ressaltar que esse programa, bastante ambicioso, não vem embasado de um Planejamento Estratégico que contemple a Logística de transporte de cargas e passageiros do país, onde o intermodalismo deverá  ter destaque. É bom lembrar ao leitor deste blog que a matéria deste vídeo não faz alusão as bitolas existente no país, e que precisam ser padronizadas, para termos uma unidade nacional de ferrovias.Entendo que, a bitola padronizada deverá ser a de 1,60 metros, e que os trechos de bitola métrica deveriam ser complementados com mais uma linha para a bitola de 1,60 metros, antes de demarrar o programa divulgado no vídeo em tela.
       Antevejo nesse contexto, a participação das hidrovias  no transporte intermodal, além do ferrovário e rodoviário; é por isso que defendo a elaboração de um Planejamento Estratégico de transporte no Brasil.

    Infraestrutura ferroviária no Brasil - Brasilianas.org (24/10/2011)

    19 de jun. de 2012

    A LOGÍSTICA FERROVIÁRIA

    ALTERNATIVAS DE TRANSPORTE II - A LOGÍSTICA FERROVIÁRIA

    Em fevereiro, vimos o primeiro artigo que descrevia as "Alternativas de Transporte" sob o ponto de vista da distribuição da matriz de transportes no Brasil e no Estado de São Paulo.
    Foi também abordado alguns assuntos do PDDT-Plano Diretor de Desenvolvimento dos Transportes (elaborado pelo Dersa-Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo), que propõe a necessidade de uma nova matriz considerando uma projeção de crescimento dos transportes para os próximos 20 anos.
    Alguns ítens apontados pelo PDDT:

    • Aumento de 93% no volume de carga, passando de 650 milhões de toneladas anuais para 1,257 bilhões de toneladas.
    • A população do Estado deverá crescer 20% e atingir 43 milhões de pessoas.
    • A indústria, agroindústria e a infraestrutura de transportes contribuirão através de suas relações comerciais com cerca de US$ 400 bilhões do Produto Nacional Bruto Anual.
    • A demanda da carga geral deverá crescer em torno de 83,3% atingindo 1,047 bilhões de toneladas anuais, cuja maior parte estará associada aos fluxos de comércio exterior, podendo vir a triplicar a movimentação desse tipo de carga no Porto de Santos.
    • O crescimento estimado de carga associado ao setor industrial (carga geral, contêiner, papel e celulose)responderá por cerca de 78% da demanda futura de transporte, cujo perfil de crescimento impactarão nos tipos de acondicionamento, transbordo e transporte, com reflexos em todo o sistema logístico.

    Óbviamente, pela importância do Estado de São Paulo no contexto da Federação, não precisaremos esperar 20 anos para avaliar a extensão destes números e os tipos de problemas que acarretarão para a economia estadual e consequentemente para a economia nacional se a atual matriz de transportes continuar da forma que está. Por isso, a matriz precisará e deverá ser alterada para fazer frente à demanda de carga atual e futura, de modo a permitir o desenvolvimento e o crescimento dos transportes sem surpresas e sobressaltos para todos, principalmente no que diz respeito aos custos logísticos.

    Diante disso, relembremos a distribuição da carga por modal no Estado de São Paulo:

    RODOVIÁRIO
    93,2%
    FERROVIÁRIO 5,2 %
    AQUAVIÁRIO 0,4 %

    OUTROS 1,1 %


    Podemos imaginar a situação dos transportes se projetarmos na proporção acima um aumento do volume de carga de 93%. Certamente será inviável!

    O PDDT não aponta apenas a situação atual, as previsões e expectativas para os próximos 20 anos, mas apresenta também propostas técnicas para resolver os problemas atuais e futuros. Vejamos algumas:

    • Aumentar a oferta do transporte ferroviário.
    • Efetivar a construção do Ferroanel.
    • Ter menos dependência do transporte rodoviário.
    • Maior união entre os diversos modais.

    Partindo desse princípio, este artigo propõe explorar na prática o que de fato já existe em termos de transporte ferroviário o qual já está contribuindo para a melhoria da distribuição das cargas por modal, proporcionando redução de custos e refletindo positivamente na qualidade e na segurança do transporte em geral.

    Surgem, entretanto, algumas questões:

    1. Quais são as alternativas ferroviárias existentes e como podemos utilizá-las?
    2. Qual perfil de carga é adequado para usufruir dessa logística?
    3. Será necessário proceder mudanças na logística interna de modo a ajustá-la ao transporte ferroviário, ou vice-versa?
    4. Será necessário trocar efetivamente um modal pelo outro?
    5. Devemos esperar mais alguns anos para avaliar a evolução do transporte ferroviário e identificar oportunidades para uma nova estratégia logística?

    Estas e muitas outras questões já podem ser respondidas.

    INFRAESTRUTURA

    Inicialmente, para avaliarmos uma alternativa logística é necessário conhecer e entender a infraestrutura de transportes, sua situação e perspectivas operacionais.

    Podemos conceituar a infraestrutura de transportes como sendo:

    • MULTIMODAL
    • INTERMODAL

    Multimodal porque considera o uso dos diversos modais de transporte, ou seja:
    • Ferroviário
    • Rodoviário
    • Marítimo
    • Hidroviário
    • Aéreo
    • Dutoviário

    Intermodal porque considera o uso dos diversos sistemas que promovem o intercâmbio entre os modais, tais como:
    • Terminais Ferroviários
    • Terminais Portuários
    • Terminais Hidroviários
    • Terminais Rodoviários
    • Centros de Distribuição
    • Armazéns Gerais
    • EADIs
    • TRAs
    • Aeroportos

    Esta infraestrutura existe, está em operação e em condições de proporcionar as alternativas que se ajustam às necessidades de qualquer empresa, desde que adequadamente identificadas e implantadas.

    A LOGÍSTICA FERROVIÁRIA

    No âmbito do Estado de São Paulo, após a recente cisão da ferrovia FERROBAN, passamos a ter o seguinte quadro de empresas ferroviárias atuantes:

    BRASIL FERROVIAS
    FERRONORTE S/A
    FERROBAN FERROVIAS BANDEIRANTES S/A
    FERROVIA NOVOESTE S/A
    PORTOFER
    FCA - FERROVIA CENTRO-ATLÂNTICA S/A
    ALL - AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA
    MRS LOGÍSTICA S/A

    São 07 ferrovias que fazem a ligação com todas as regiões do país e também com dois países do Mercosul (Uruguai e Argentina podendo chegar ao Chile), com a Bolívia e com o resto do mundo através do maior e principal porto - o Porto de Santos.
    Após o período inicial de concessão dos serviços ferroviários à iniciativa privada (privatização), começou-se uma nova fase de investimentos na recuperação da infraestrutura de operação, ou seja, dormentes, trilhos, vagões, locomotivas e terminais intermodais próprios ou de terceiros.
    Não chegamos a "ver" os investimentos na ferrovia como no caso das rodovias em que se percebe as obras que estão sendo feitas por obstruirem nossa passagem enquanto passamos por elas. Entretanto, estão sendo realizadas muito embora sejam caras e demoradas devido ao fato de serem executadas conjuntamente à operação do transporte.
    Não atingimos ainda o mesmo nível das ferrovias do primeiro mundo, mas certamente chegaremos lá. Importa dizer que muito está sendo feito e gerando resultados excelentes.
    Aos poucos o transporte ferroviário está ocupando seu espaço e importância no cenário nacional, pois ao investirem milhões de reais na aquisição de sua concessão, a primeira atitude das empresas foi atender as cargas já existentes e que proporcionavam algum retorno, muitas delas dos próprios acionistas.
    Passados seis anos, algumas dessas ferrovias em estado mais avançado de investimentos e ação comercial, começaram a se preparar para buscar e atender um mercado que até então não se podia fazer e nem tampouco o próprio mercado acreditava que seria atendido, ou seja, o mercado da carga geral, da carga de maior valor agregado, da carga conteinerizada.
    Somando-se a isso, as ferrovias foram favorecidas também pela privatização das rodovias e dos terminais portuários, que geraram impacto nos custos de frete com o aumento do valor e das praças de pedágio - no caso das rodovias, bem como a melhoria dos serviços e dos custos portuários - no caso do Porto de Santos.
    Muita coisa mudou desde os últimos seis anos e, certamente não será o mesmo nos próximos seis anos ou mais, porque a dinâmica da movimentação de mercadorias, seja "inbound" ou "outbound" sempre buscará novas e diferentes maneiras para melhorar a logística visando aumentar a competitividade, reduzir custos ou minimizar fatores que agregam custos permitindo assim estar à frente do mercado e manter-se atuante numa economia globalizada.

    Fato relevante que se observa no mercado diz respeito ao seguinte:

    As empresas em geral estão interessadas no transporte ferroviário, querem descobrir e avaliar essa perspectiva, porém por ser o Brasil um país de cultura rodoviarista, há ainda muito ceticismo em relação ao modal ferroviário e suas perspectivas operacionais, achando que somente transportam cargas de baixo valor agregado, grandes volumes e a grandes distâncias.
    O que se percebe é que falta informação específica e conhecimento para que as empresas possam avaliar e identificar qual ou quais ferrovias podem atender suas necessidades de transporte.
    A resposta está relacionada com o seguinte procedimento a ser realizado:

    • Avaliação da sua localização geográfica no contexto ferroviário.
    • Identificação das alternativas ferroviárias de acordo com o modelo logístico atual caracterizado pelo tipo de carga e fluxos de transporte.
    • Desenvolvimento de um projeto específico.
    • Implementação e gerenciamento da logística.

    Este procedimento permite às empresas avaliarem sua logística atual e se situarem em relação às novas oportunidades e perspectivas existentes quanto ao transporte ferroviário, objetivando proporcionar redução de custos, melhoria da segurança e da qualidade do transporte, manutenção estratégica das necessidades atuais com perspectivas de longo prazo, permitindo também um planejamento e suporte ao crescimento do mercado.

    A ESTRATÉGIA

    De acordo com o PDDT citado no início deste artigo, no Estado de São Paulo a carga geral responde pelo maior volume de transporte com um movimento da ordem de 530 milhões de toneladas anuais, ou 82,3% do total.
    Em 20 anos deverá atingir 1,047 bilhões de toneladas anuais, representando 83,3% do total.
    Sendo assim, considerando a perspectiva do desenvolvimento e implantação do transporte ferroviário do ponto de vista da estratégia logística, temos que considerar a seguinte classificação de carga para uma correta identificação e avaliação:

    Carga Geral (seca, granel e líquida)

    Podemos considerar como sendo o tipo de carga não conteinerizada, que deve ter um tratamento diferenciado por ser característica de vagões tipo gôndola, fechado comum, graneleiro, prancha, tanque, all door, piggy back, e outros equipamentos como o transtrailer e o road railer.
    Atualmente muitos projetos já podem ser analisados e desenvolvidos para diversos tipos de carga e, em alguns casos existe a perspectiva de investimento conjunto entre a empresa ferroviária e o cliente interessado, como a reforma ou recuperação de vagões e instalações.
    Para se identificar e desenvolver uma logística ferroviária adequada, será necessário avaliar as características que envolve o produto e a necessidade do transporte a ser realizado, como os fluxos, volumes, acondicionamento, tipo de vagão, frequências, tempo de trânsito, custos atuais de frete entre outros.
    Isto é necessário porque permite identificar não apenas a viabilidade da logística, mas sua execução imediata ou no curto, médio e longo prazos, dependendo da disponibilidade operacional da empresa ferroviária ou mesmo de investimentos a serem efetuados.

    Carga Conteinerizada (Importação, Exportação e Mercado Interno)

    A natureza operacional deste tipo de carga normalmente envolve:
    • Armadores (Empresas de Navegação)
    • Terminais Portuários Alfandegados
    • Terminais Retro-Portuários Alfandegados
    • EADIs
    • Despachantes Aduaneiros
    • Transportadoras Rodoviárias

    Na exportação e importação, muitas operações são realizadas sem um padrão definido ocasionando na maioria das vezes custos desnecessários com o transporte do conteiner vazio, com transferências e transbordos entre o terminal portuário (em que ocorreu a atracação do navio) e TRAs ou EADIs, com demurrages de conteiner, etc. que podem ser minimizados e até extintos. São operações consideradas tradicionais e normalmente aceitas pelas empresas, quando na verdade podem e devem ser revistas para que uma logística mais adequada seja implantada a partir do transporte ferroviário.

    Para implantação da logística de transporte ferroviário, deve-se considerar as seguintes condições essenciais:
    1. Terminais portuários alfandegados com acesso ferroviário, para que possam receber e expedir trens diretamente. Com isso evita-se transbordos de vagão para caminhão e transportes rodoviários desnecessários na área portuária e entre margens.
    2. Terminais ferroviários nas regiões de grande concentração de carga (no Interior), atuando como Centros de Logística Integrada, com recebimento e expedição de trens de contêineres e carga geral, como depósito de contêineres vazios e com coleta e entrega rodoviária em sua região de influência. Estes terminais fazem a ligação direta com o porto através do transporte ferroviário.
    3. Armadores que disponibilizam seus contêineres nos terminais ferroviários (depósito), beneficiando o cliente com a isenção do frete do transporte de retorno e coleta do conteiner vazio.

    Considerando porém, a existência de vários armadores, terminais portuários, TRAs, EADIS, ferrovias, transportadoras e terminais ferroviários que oferecem uma gama de serviços acessórios, surgem então alguns questionamentos que devem ser respondidos para implantação da logística mais adequada:
    • Na importação, qual o melhor local para desembaraço aduaneiro? - No terminal portuário? - No TRA? Na EADI? Ou em fronteira?
    • Qual terminal no porto utiliza o transporte ferroviário?
    • Qual terminal no interior recebe e expede trens? Quais serviços oferece (consolidação, desconsolidação, armazenagem, etiquetagem, entrega, coleta, etc.)?
    • Qual será a operação mais adequada e vantajosa?
    • Na exportação, qual condição é mais adequada? - consolidar em fábrica ou no terminal de terceiros?
    • Que local é mais indicado para desembaraço aduaneiro? - No terminal ferroviário (via Redex)? - Na EADI? - No TRA? - No terminal portuário? Ou em fronteira?
    • No mercado interno, qual operação ferroviária existe para que se possa avaliar se se aplica a uma necessidade logística?
    • Conforme a região de influência, quem são as ferrovias e quais os serviços e projetos que estão oferecendo ou vão implantar?
    • Quais são os terminais ferroviários próprios e de terceiros? Onde se localizam? Quais serviços e quais preços oferecem?

    Quando se implanta uma logística consciente, consistente e convergente com os objetivos empresariais, a redução de custos, a melhoria da qualidade e da segurança do transporte são efetivamente percebidas resultando em ganhos que podem variar de 15 a 30%.
    Atualmente é muito importante pensarmos em buscar alternativas que nos ofereçam estratégias e vantagens operacionais e financeiras; porém é vital conhecermos e acompanharmos tudo o que está acontecendo ao nosso redor quando falamos de logística de transportes, seja rodoviário, ferroviário, marítimo internacional e de cabotagem, hidroviário, aéreo e dutoviário.
    As diversas empresas que atuam neste segmento estão constantemente buscando a melhoria de seus serviços com o objetivo de prover o mercado de transporte com mais e mais soluções de modo a atender a características e necessidades diversas.
    A logística de transporte ferroviário deve começar a fazer parte do dia a dia de todos, se não na prática realizando efetivamente o transporte, pelo menos na cultura, no conhecimento para que, à medida em que há um maior desenvolvimento e investimento no setor, estejamos preparados para dele usufruir.
    As informações referente ao PDDT são importantes, pois expressam um trabalho sério e competente realizado pela Secretaria de Transportes através do Dersa, o qual demonstra uma preocupação com a situação atual e futura da movimentação de cargas no Estado de São Paulo na medida em que nos apresenta dados atuais projetando-os para os próximos 20 anos; e não é dificil imaginar as dificuldades que teremos se no mínimo, algo não for feito e também se nar dermos atenção especial para isto.

    abril/2002

    GILSON AP. PICHIOLI*,contato@logisticamultimodal.com.br

    * Administrador de Empresas com pós-graduação em Marketing, Gilson Ap. Pichioli tem larga experiência em Logística Ferroviária, tendo atuado por mais de 20 anos na Fepasa-Ferrovia Paulista S/A (atual Ferroban) desenvolvendo a comercialização do transporte ferroviário em diversos segmentos empresariais - tanto nacional (notadamente no Estado de São Paulo) quanto internacionalmente. Consultor em Logística Multimodal especializado no desenvolvimento, implantação e gerenciamento de alternativas de transporte, procura proporcionar às empresas uma análise da sua logística atual em relação às novas oportunidades e perspectivas do setor.

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